quinta-feira, 26 de julho de 2012

BAIRRO MAFUÁ


TERESINA SÉCULO XXI: Contrastes urbanos
Leituras da arquitetura e da cidade

O Mafuá é um dos mais antigos bairros da cidade de Teresina. Distante apenas cerca de 1 km do bairro Centro, conta com uma população de 2.861 habitantes (dados do censo IBGE/2010). Desde sua origem, tem-se visível a predominância do comércio como fonte de renda e fator condicionante da organização do bairro, fato que se comprova no histórico do bairro e na disposição das tipologias ao longo das ruas estudadas (o comércio se concentra na principal rua do bairro, a Rua Gabriel Ferreira).

 
RESTAURANTE DA MARIA TIJUBINA - RAPAZ NO PORTÃO

ANTIGA PONTE DO MAFUÁ - EM FRENTE O MERCADO MAFUÁ E AO LADO UMA SERRARIA E O RESTAURANTE DO MÃOZINHA
CRUZAMENTO DAS RUAS LUCÍDIO FREITAS COM QUINTINO BOCAIUVA

    A formação do bairro deu-se no início do século XX, por ocasião dos trabalhos de nivelamento da Estrada do Gado (Avenida Circular, hoje Avenida Miguel Rosa), para a colocação dos trilhos da estrada de ferro, que tinha a função de ligar Teresina a São Luís, capital do Maranhão.
    Na década de 1920, o responsável pela obra, capitão engenheiro José Faustino Santos e Silva, chamou a área de Mafuá, referindo-se às atividades de feira livre e à venda de comida aos trabalhadores no local da construção do parque ferroviário. Além disso, havia a necessidade da construção de uma ponte para manter o acesso do bairro ao centro da cidade, separado pelo corte. A palavra “mafuá” origina-se do francês ma foire, que quer dizer “minha feira”.
    Tudo começou quando, nos anos 30, o comerciante Augusto Ferro de Sousa chegou ao bairro trazendo com ele a prática do comércio e dando movimento às ruas Gabriel Ferreira e Amazonas, sendo assim considerado o pioneiro das atividades comerciais do Mafuá. Augusto Ferro possuía uma mercearia, chamada Quitanda Nova e uma sorveteria e picolé Amazonas, a qual permanece até os dias atuais. O comerciante era dono de um grande terreno no cruzamento das ruas Gabriel Ferreira e Amazonas, que circundava seus pontos comerciais e que, após ter sido dado início a atividade comercial na região, foi se vendo cercado de outros comércios a céu aberto, dando origem às feiras livres. Esses comércios não passavam de bancas simples, feitas de madeira, que não pagavam impostos ao governo, pois o terreno era de Augusto Ferro, então os impostos eram cobrados por ele.
Quando morreu, seu patrimônio, dividido entre os filhos, foi quase todo vendido, restando apenas o ponto de venda da sorveteria e picolé Amazonas, ainda tocado por um de seus filhos, chamado Herbert Ferro, junto com a esposa.
    Com o início do movimento do comércio, ainda que de forma precária e desorganizada, a Prefeitura Municipal de Teresina, em 1966, com o então prefeito Hugo Bastos, iniciou a construção do prédio destinado ao mercado público do Mafuá, na Rua Lucídio Freitas, que recebeu o nome de Tersandro Paz, passando também a ser conhecido popularmente como Mercado do Augusto Ferro. A partir daí, o bairro passou a ter um local estruturado e apropriado para o melhor desenvolvimento das atividades comerciais, que já vinham ocorrendo no antigo mercado do Augusto Ferro, onde se realizava a venda de carnes, frutas e verduras.
    Dentre os antigos restaurantes que existiam no bairro Mafuá durante as décadas de 1970 e 1980, destacou-se o restaurante de Maria Tijubina, o qual ficou famoso pela venda de comidas típicas nordestinas, atraindo não só a população do bairro, como também de outros bairros e até mesmo de fora da cidade. O restaurante foi instalado no início da década de 60, nas imediações da linha férrea, próximo à Praça Augusto Ferro. Hoje, o local não existe mais.
    Muitas transformações ocorreram influenciadas pelo fluxo crescente do comércio na região. De início, a região teve a quantidade de pontos comerciais e, com eles, a quantidade de domicílios aumentada. Hoje no local, temos também pontos comerciais bastante conhecidos em todo o estado, o Comercial Carvalho e a panificadora Modelo, que apesar de serem grandes empresas e que exercem forte concorrência, não há um monopólio da clientela local por parte destas, o que demonstra o quanto o bairro possui esse aspecto tradicional e até mesmo familiar (a maioria dos habitantes se conhece de nome e conhece a história do local em que vive, além de manterem o costume de fazer compras e tomar café no mercado.



Nenhum comentário:

Postar um comentário